Política
20/03/2026
Numa entrevista ao jornal O Globo, no ano passado, a governadora Fátima Bezerra afirmou:
— O PT vai passar, inevitavelmente, por um processo de renovação de suas lideranças nos próximos anos.
Na ocasião, ressaltou que esse movimento deveria ocorrer de forma gradual, preservando a identidade histórica do partido. Projetava esse ciclo para 2030.
Mas esse processo já começou.
Historicamente, o PT potiguar foi marcado por uma divisão fácil de identificar: de um lado, o grupo de Fátima; de outro, o de Fernando Mineiro.
Foi assim por mais de três décadas — da fundação da legenda à ascensão da deputada federal Natália Bonavides.
Agora, o partido passa a se organizar, essencialmente, em três alas: a da governadora, a de Mineiro e a da jovem parlamentar.
Não se enganem.
Ao bancar o nome de Samanda Alves como substituta na pré-candidatura ao Senado, Fátima Bezerra não resolve apenas uma equação eleitoral de 2026.
A meu ver, ela dá um passo além: começa a ungir uma sucessora para representar o seu grupo político nas próximas gerações do PT. Marca território desde já.
Chamou atenção um trecho do discurso do “fico” da governadora:
— Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta política e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder.
Uma dessas “Fátimas” estava ali, ao lado da governadora, em silêncio, com expressão contida, quase chorando: Samanda Alves.
Na campanha ao Senado — e no futuro do PT —, Fátima é Samanda. E Samanda será Fátima.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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