Política
09/07/2026
A cobrança pela liberação das emendas parlamentares deixou de ser uma simples disputa por recursos do Orçamento. O impasse abriu uma nova frente de desgaste entre o Governo Fátima Bezerra e a Assembleia Legislativa, justamente num momento em que o Executivo tenta administrar uma crise de caixa agravada pelo contingenciamento superior a R$ 500 milhões neste ano.
O acordo previa a liberação de R$ 1,4 milhão em emendas para cada deputado até o fim de junho, antes das restrições impostas pela legislação eleitoral. O prazo expirou sem que boa parte dos recursos fosse paga, e a oposição reagiu em bloco.
José Dias (PL) afirmou que o governo já acumula passivos que, em valores nominais, se aproximam da dívida salarial herdada de Robinson Faria, citando mais de R$ 212 milhões devidos aos municípios, mais de R$ 400 milhões em precatórios e um estoque superior a R$ 100 milhões em emendas parlamentares, valor que, segundo ele, pode chegar a R$ 200 milhões ao considerar exercícios anteriores. Luiz Eduardo (PL) classificou a gestão como “caloteira”, enquanto Coronel Azevedo (PL) chegou a falar em “impeachment econômico”.
Em defesa do Executivo, o líder do governo, Francisco do PT, negou perseguição política e atribuiu parte dos atrasos a pendências técnicas, como a ausência dos planos de trabalho exigidos pelo Tribunal de Contas do Estado. Argumentou ainda que parlamentares da oposição receberam mais recursos do que integrantes da própria base governista, afastando qualquer tratamento discriminatório.
O fato é que a escassez de recursos transformou as emendas em mais um capítulo da queda de braço entre Executivo e Legislativo. O governo diz que precisa priorizar a folha de pagamento, os fornecedores e os serviços essenciais. Os deputados exigem o cumprimento do acordo firmado. No fim das contas, quando o dinheiro não dá para tudo, prevalece a velha lógica da política: farinha pouca, meu pirão primeiro.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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