Economia
15/05/2026
A Fiern (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte) enviou uma carta à bancada federal potiguar pedindo apoio a mudanças na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 221/2019, que reduz a jornada de trabalho.
A entidade argumenta que o debate é legítimo, mas exige responsabilidade com o bolso de quem produz. “Alterações abruptas podem comprometer a sustentabilidade das empresas, especialmente da indústria”, afirma Roberto Serquiz, presidente da federação.
Entre as propostas defendidas, o setor industrial quer que a redução só comece em 2028 e de forma escalonada. A ideia é garantir que a produtividade nacional acompanhe a mudança sem quebrar o caixa dos negócios.
A federação também briga para que acordos coletivos tenham mais força que a lei geral nesses casos. Outro ponto sugere que horas extras sejam pagas sem a incidência de encargos trabalhistas pesados.
Um estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) traz números que assustam o empresariado. Segundo a análise, a mudança imediata elevaria os custos com funcionários em até R$ 267,2 bilhões por ano no Brasil.
Esse cenário representa um salto de 7% nas folhas de pagamento de forma generalizada. Na indústria, o impacto financeiro tende a ser ainda mais severo dependendo da região do país.
Para Roberto Serquiz, o Brasil precisa olhar para o exemplo de fora para não errar a mão. “A experiência internacional demonstra que processos exitosos de redução da jornada ocorreram de forma gradual”, reforça o líder empresarial.
A Fiern defende que qualquer alteração preserve a competitividade e a segurança jurídica. O objetivo é evitar que o custo de produção suba tanto a ponto de gerar demissões em massa.
O posicionamento segue o norte institucional da CNI. As entidades pedem que os parlamentares do RN avaliem o tema com rigor técnico.
O setor industrial aguarda agora o retorno dos deputados e senadores sobre as emendas sugeridas. A mobilização visa barrar uma aprovação célere que desconsidere o equilíbrio macroeconômico nacional.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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