Mundo
11/03/2026
O jornalista e ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal, Franklin Martins, foi detido e deportado na última sexta-feira (6) durante uma conexão no aeroporto da Cidade do Panamá. Ele seguia viagem para participar de um seminário na Guatemala.
Em relato enviado ao Itamaraty e divulgado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Martins afirmou que, ao desembarcar, teve o passaporte retido por agentes à paisana e foi conduzido para uma sala reservada do aeroporto.
Segundo o jornalista, que foi ministro durante o segundo governo do presidente Lula, o local tinha uma parede de vidro espelhado, por onde superiores podiam acompanhar o interrogatório sem serem vistos. Durante o procedimento, ele preencheu um formulário com dados pessoais, respondeu a perguntas e teve fotografias e impressões digitais coletadas diversas vezes.
Martins contou ainda que informou aos agentes que viajaria para participar, durante três dias, de um seminário da Universidade Rafael Landívar com o tema “Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas”.
De acordo com o ex-ministro, parte das perguntas feitas pelos policiais tratava de sua prisão durante o período da ditadura militar, em 1968. Franklin afirmou que explicou que a detenção ocorreu por razões políticas, e não criminais.
“Deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas”, relatou.
Deportação
Após aguardar sozinho por cerca de 20 minutos, Martins disse ter sido informado de que não poderia seguir viagem para a Guatemala. Segundo ele, os agentes citaram a Lei de Migração do Panamá, de 2008, que impede a entrada ou conexão de estrangeiros que tenham cometido crimes graves.
“Seria deportado de volta para o Brasil no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro. Perguntei-lhe a razão. Ele tampouco explicou claramente. Como seu colega, voltou a falar na Lei de Migração de 2008. Disse que ela determinava que estrangeiros não poderiam entrar no Panamá ou fazer conexões para outros países através do Panamá se tivessem cometido crimes considerados graves, como tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinatos, sequestros etc. Mais uma vez afirmei que não havia cometido crime algum, mas lutado contra uma ditadura. E me orgulhava disso”, afirmou.
O jornalista disse que pediu autorização para entrar em contato com a embaixada brasileira, mas o pedido foi negado. Ele permaneceu por mais quatro horas em outra sala da área de migração, onde novamente foi fotografado e teve as impressões digitais recolhidas.
Segundo Martins, os agentes também mencionaram que a legislação migratória se tornou mais rígida após acordos de segurança firmados entre o Panamá e os Estados Unidos em 2025.
O ex-ministro acabou deportado para o Rio de Janeiro. O passaporte, segundo ele, só foi devolvido após a chegada ao Brasil.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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