Política
29/05/2026
A deputada estadual Isolda Dantas (PT) subiu o tom na Assembleia Legislativa (AL). Ela rotulou o senador Rogério Marinho (PL) como "inimigo da classe trabalhadora".
O ataque surge após o líder da Oposição protocolar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Senado Federal. O texto propõe um modelo de jornada flexível com pagamento por hora trabalhada.
A medida do senador serve como contra-ataque à PEC aprovada na Câmara dos Deputados na última quarta-feira (27). O projeto da Câmara extingue a escala 6x1 e reduz o limite semanal de 44 para 40 horas.
Para Isolda, a derrocada da jornada atual representa um marco histórico. “Eu preciso comemorar com a classe trabalhadora do Rio Grande do Norte a grande vitória que nós tivemos na Câmara dos Deputados”, festejou.
A parlamentar associou o avanço da pauta aos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela relembrou a enxurrada de boatos e previsões pessimistas que rondaram o debate antes da votação.
A petista rebateu os argumentos de que a mudança causaria demissões em massa ou vadiagem. “Muita fake news foram feitas com essa pauta, de que vai gerar desemprego, de que as pessoas querem ter mais tempo para ficar preguiçando em casa, de que era uma pauta eleitoreira, mas nada disso foi capaz de derrotar essa grande conquista que os trabalhadores e trabalhadoras tiveram na Câmara dos Deputados, em Brasília”, discursou.
O foco principal do bombardeio político mirou os movimentos de bastidores de Rogério Marinho. Isolda criticou a tentativa de condicionar a redução de horário a acordos diretos entre patrões e funcionários.
A deputada usou um apelido antigo do rival para alertar os colegas sobre a articulação. “Já tem um senador, que é inimigo da classe trabalhadora, o senador do saco preto, que está articulando, pegando a assinatura de outros senadores para incluir, nessa vitória da classe trabalhadora, que essa negociação de redução das horas seja feita entre trabalhador e empregado”, disparou.
Na visão da parlamentar, colocar empregado e patrão na mesma mesa resulta em uma disputa desleal. Ela defende que quem precisa do salário para comer não tem forças para impor condições.
Isolda detalhou a fragilidade do cidadão comum diante do poder econômico do empresariado. “É óbvio que quem precisa do seu emprego vai para uma negociação dessa completamente desprovido”, argumentou. “Essa negociação não pode se dar entre quem emprega e quem é o empregado, porque é desigual, é desleal, não é justa.”
O embate esquenta justamente na transição da matéria entre as duas Casas Legislativas. Setores patronais tentam usar a flexibilização no Senado para mitigar os impactos financeiros nas empresas.
A deputada potiguar rejeitou qualquer recuo ou meio-termo na proteção jurídica. Ela provocou os parlamentares sobre a verdadeira função de representar o povo no parlamento.
Para Isolda, o Congresso Nacional tem o dever de blindar o elo mais fraco da corrente. “Para que servem os deputados? Para que servem os senadores, se não para proteger os direitos da classe trabalhadora?”, questionou.
O mandato da petista promete vigiar os passos da oposição durante a tramitação da proposta original. Ela exige o pacote completo: menos horas de trabalho, manutenção do salário e descanso garantido.
A deputada garantiu que a militância vai expor quem tentar desidratar o texto original. “Isso nós não vamos aceitar, isso nós temos que denunciar. A vitória tem que ser completa, porque nós sabemos que essa negociação, se for dessa forma, é injusta. Se for dessa forma, é desleal”, concluiu.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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