Política
25/03/2026
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de autorizar o retorno de Jair Bolsonaro ao regime domiciliar não surpreende — e, em alguma medida, apenas confirma o que já se desenhava como inevitável.
Desde o ano passado, a discussão em torno da medida orbitava dois eixos claros: o histórico de saúde do ex-presidente e a necessidade de coerência da própria Corte com seus precedentes.
Bolsonaro acumula uma sequência de cirurgias, intercorrências e comorbidades que, por si só, sustentam a adoção de um regime menos gravoso. Não se trata de excepcionalidade, mas de adequação.
Nesse ponto, a decisão é acertada porque restabelece um princípio básico: o da isonomia.
O mesmo ministro que já concedeu prisão domiciliar ao ex-presidente Fernando Collor agora alinha sua atuação a parâmetros que precisam ser universais, sob pena de fragilizar a previsibilidade das decisões judiciais. A coerência institucional, aqui, pesa tanto quanto o quadro clínico.
A demora, ainda que tenha alimentado debate jurídico e político ao longo dos últimos meses, não altera o essencial: a medida já era esperada e encontra respaldo tanto na legislação quanto na prática recente da Corte.
Há, evidentemente, um pano de fundo que ajuda a compreender o timing.
O agravamento do estado de saúde de Bolsonaro e a repercussão do chamado Caso Master — que colocou o próprio Moraes sob maior escrutínio público, especialmente por questionamentos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro — compõem o ambiente em que a decisão foi tomada.
Ao fim e ao cabo, a decisão recoloca o caso nos trilhos da coerência institucional. Sem atalhos, sem exceções — apenas a aplicação de um critério que precisa valer para todos, independentemente do personagem.
E, quando isso acontece, o Direito deixa de ser argumento e volta a ser regra.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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