Mensagens citam plano para agredir Lauro Jardim em falso assalto

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Reprodução/Globonews
Segundo o STF, dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ameaçou o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo.

Justiça

04/03/2026

Na decisão que determinou a prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou haver indícios de que o banqueiro teria determinado a simulação de um assalto — ou de um episódio semelhante — para “prejudicar violentamente” o colunista do O Globo Lauro Jardim.

Segundo o ministro, o objetivo seria “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro indicam que o banqueiro participava de um grupo de WhatsApp chamado A Turma, no qual foi discutida a estratégia para simular um assalto contra o jornalista.

Nos diálogos, Vorcaro — identificado como DV — fala em colocar pessoas para seguir Lauro Jardim e menciona a possibilidade de agredi-lo durante um suposto assalto. Trechos das mensagens reproduzidas na decisão mostram a conversa:

MOURÃO: Esse Lauro Jardim bate cartão todo domingo? hrs hein Lanço uma nova sua? Positiva.
DV: Sim
MOURÃO: Cara escroto.
DV: Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.
MOURÃO: Vou fazer isto.
(...)
DV: Esse lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.

De acordo com a investigação, o possível executor seria Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado como “Felipe Mourão” e apelidado de “Sicário”. A Polícia Federal afirma que ele coordenava atividades de vigilância, levantamento de informações e monitoramento de pessoas ligadas a investigações ou críticas ao Banco Master.

Os investigadores também apontam que Mourão realizava consultas em sistemas restritos de órgãos públicos usando credenciais de terceiros. Teriam sido identificados acessos indevidos a bases da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até a sistemas internacionais.

A decisão de Mendonça também cita que Mourão tentava remover conteúdos da internet enviando comunicações que simulavam pedidos oficiais de órgãos públicos para obter dados de usuários ou retirar publicações consideradas prejudiciais ao grupo.

Segundo a PF, o grupo de WhatsApp A Turma reunia participantes com diferentes perfis, entre eles um ex-diretor do Banco Central, um ex-chefe de departamento da mesma instituição, um policial civil aposentado — apontado como executor de ações de caráter miliciano — e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Caberia a Mourão coordenar as atividades e repassar ordens atribuídas ao banqueiro.

A investigação também identificou indícios de pagamentos regulares a Mourão. Mensagens analisadas pela PF indicam que ele receberia cerca de R$ 1 milhão por mês, valor que seria repassado por Zettel em nome de Vorcaro e depois dividido entre integrantes da estrutura.

Para a Polícia Federal, o conjunto de mensagens sugere a existência de uma organização voltada à vigilância, obtenção irregular de dados e intimidação de críticos, supostamente financiada pelo banqueiro.

A defesa dos citados ainda não se manifestou publicamente sobre o teor das mensagens mencionadas na decisão. O caso segue sob investigação no Supremo Tribunal Federal.

Sobre os fatos, O Globo divulgou a seguinte nota:

“O GLOBO repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava ‘calar a voz da imprensa’, pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público.”

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.

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