Nem Lula, nem Bolsonaro

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Reprodução/Redes Sociais
Allyson Bezerra, ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do RN.

Política

02/07/2026

Se há algo que os principais adversários do PT no Nordeste aprenderam nos últimos anos é que enfrentar Lula em seu território exige cautela redobrada. A popularidade do presidente na região continua elevada e sua capacidade de transferir votos permanece sendo um ativo cobiçado pelos aliados e um obstáculo para os adversários.

Talvez por isso, alguns dos pré-candidatos a governador mais competitivos do Nordeste tenham escolhido um caminho diferente: evitar a nacionalização da disputa e fugir da armadilha da polarização entre o PT de Lula e o PL de Bolsonaro.

A estratégia aparece em estados importantes da região. No Ceará, Ciro Gomes tenta construir uma candidatura estadual dissociada da guerra nacional. Na Bahia, ACM Neto adota postura semelhante. Em Pernambuco, Raquel Lyra também evita transformar a eleição local em um plebiscito sobre Brasília.

No Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra segue pela mesma trilha. Líder na maior parte das pesquisas, o ex-prefeito de Mossoró evita se alinhar às pré-candidaturas presidenciais que hoje dominam o debate político nacional.

A razão é simples. Seus dois adversários mais competitivos apostam justamente na polarização como estratégia eleitoral. De um lado, Cadu Xavier trabalha para associar sua imagem ao presidente da República, investindo na marca “Cadu de Lula”.

Do outro, Álvaro Dias tenta ocupar o espaço do eleitorado identificado com o bolsonarismo.
Ao permanecer fora desse duelo, Allyson busca evitar que a eleição estadual se transforme em uma disputa por procuração entre o PT e o PL.

Há ainda um componente adicional nessa equação. Sua principal aliada política, a senadora Zenaide Maia, pertence ao PSD, partido que tem Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência, mas que, ao mesmo tempo, integra a base governista e ocupa a vice-liderança de Lula no Senado.

Nesse cenário, escolher um lado significaria criar dificuldades desnecessárias dentro da própria aliança.

Por isso, Allyson repete sempre a mesma frase: se eleito governador, trabalhará com qualquer presidente da República escolhido pelos brasileiros, seja Lula, Flávio Bolsonaro ou qualquer outro nome que venha a ocupar o Palácio do Planalto.

Não deixa de ser coerente. Como prefeito de Mossoró, governou durante os anos de Jair Bolsonaro e também durante o atual governo Lula.

Agora, tenta transformar essa convivência institucional em ativo eleitoral e vender ao eleitor a imagem de um candidato que prefere manter distância da guerra ideológica para disputar a eleição no terreno da gestão.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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