Política
10/07/2026
A desistência de Kelps Lima da disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados é muito mais do que a saída de um pré-candidato. É um sintoma das fissuras que atravessam a federação União Progressista no Rio Grande do Norte.
Não se trata de um candidato qualquer. Em 2022, Kelps recebeu mais de 79 mil votos e ficou fora da Câmara apenas por força do quociente eleitoral. Era um nome que entrava na conta da federação para ajudar a elevar o desempenho da nominata e ampliar as chances de reeleição de deputados que hoje ocupam mandato.
Ao abandonar a disputa, Kelps não saiu em silêncio. Preferiu transformar a despedida em um ajuste de contas público. Acusou Benes Leocádio, João Maia e Robinson Faria de boicotarem sua candidatura, afirmou que promessas feitas para viabilizar seu projeto jamais foram cumpridas e revelou que a direção nacional recuou de um compromisso financeiro assumido durante as negociações de sua filiação.
O episódio expõe uma realidade conhecida dos bastidores políticos: alianças eleitorais costumam ser firmadas sobre promessas de apoio político, estrutura e recursos. Quando esses compromissos deixam de ser cumpridos — se é que foram realmente assumidos nos termos narrados por Kelps —, a convivência rapidamente dá lugar ao conflito.
O mais curioso é que, mesmo disparando contra a própria federação, Kelps fez questão de preservar Allyson Bezerra. Reafirmou apoio ao pré-candidato ao Governo do Estado e deixou claro que sua bronca é com a condução da nominata proporcional, não com o projeto majoritário.
A saída produz um efeito imediato. A União Progressista perde um puxador de votos importante justamente quando a montagem das chapas entra na reta decisiva. Os quase 80 mil votos que Kelps demonstrou ter potencial para reunir deixam de ser um ativo da federação e passam a ser uma incógnita no cálculo eleitoral de quem permanece na disputa.
Corre à boca miúda que Kelps Lima pode apoiar o deputado Dr. Bernardo, filiado ao Partido Verde, para deputado federal. Na entrevista desta quinta-feira à 96 FM, evitou falar sobre o assunto. Mas a possibilidade está no ar. Kelps informou, por meio da assessoria, que não anunciou apoio a nenhum candidato.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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