Justiça
28/05/2026
A maré jurídica não anda nada boa para Henrique Eduardo Alves. O STF (Supremo Tribunal Federal) assumiu o julgamento de uma ação penal contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados por supostos esquemas com a construtora OAS.
A decisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, que agora lidera a relatoria do caso. A denúncia envolve repasses de R$ 11,5 milhões entre os anos de 2012 e 2014.
A encrenca surgiu na Operação Manus, um desdobramento da Operação Lava Jato. A acusação aponta que Henrique Alves e o ex-deputado Eduardo Cunha agiram para beneficiar a empreiteira no governo federal.
O pacote de bondades incluía as concessões dos aeroportos de Galeão e Confins. Além disso, a dupla teria facilitado a liberação de verbas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para erguer a Arena das Dunas, em Natal.
Este novo capítulo no topo do Judiciário chega exatamente uma semana após outro tombo do emedebista. O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) manteve a condenação do político por lavagem de dinheiro.
O tribunal potiguar analisou repasses ocultos de R$ 2,936 milhões feitos pela JBS na campanha de 2014. A corte livrou o ex-ministro das acusações de corrupção por estarem prescritas, mas fixou a pena em 3 anos e 9 meses de reclusão.
O voto do relator no RN revelou que o dinheiro da JBS abasteceu a estrutura eleitoral de forma disfarçada. Os recursos pagaram advogados, institutos de pesquisa e até o antigo Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística).
A banca de defesa de Henrique Alves avisou que vai brigar contra o resultado nos tribunais superiores. Os advogados alegam que a punição do colegiado serve apenas para criminalizar a atividade política do cliente.
O cerco jurídico atual contrasta com as cinco décadas de prestígio do cacique potiguar. Henrique Alves acumulou 11 mandatos na Câmara Federal e comandou o Ministério do Turismo nos governos Dilma e Temer.
Ele havia migrado temporariamente para o PSB, mas retornou ao MDB em março de 2026. Agora, o veterano precisa se desdobrar para anular a pena no Nordeste e segurar o tranco do processo reativado em Brasília.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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