PT reúne cúpula para redefinir campanha de Lula

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Ton Molina/Getty Images
Crise no STF tem movimentado os bastidores políticos e, consequentemente, a campanha à reeleição de Lula.

Política

10/09/2026

A cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) se reuniu nesta quinta-feira (10), em Brasília, para discutir os impactos da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro também busca responder às pesquisas que apontam uma disputa mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

Convocada pelo presidente do PT, Edinho Silva, a reunião ocorre em meio a críticas internas sobre a condução da campanha presidencial. Dirigentes cobram maior participação do partido nas decisões e reclamam de uma suposta centralização da coordenação.

Segundo dois petistas que integram o comando da legenda, Edinho teria “tocado sozinho” a campanha, sem ouvir aliados dentro e fora do PT. Os críticos avaliam ainda que o presidente da sigla estaria tentando dividir responsabilidades diante do aumento da pressão eleitoral.

Parte da executiva também reclama que integrantes de outras correntes partidárias não foram chamados para colaborar na campanha. O grupo ligado a Edinho seria, segundo os críticos, o principal núcleo representado na coordenação.

Apesar das críticas, aliados reconhecem o papel de Edinho nas negociações que impediram partidos do Centrão, como Progressistas (PP), União Brasil e Republicanos, de permanecerem neutros ou apoiarem Flávio Bolsonaro.

A avaliação dentro do governo é que a crise no STF pode produzir efeitos eleitorais para Lula. O presidente conversou nos últimos dias com ministros da Corte em busca de uma saída para o impasse.

Lula também teme que a crise judicial domine o debate eleitoral e deixe em segundo plano temas que pretende apresentar ao eleitorado, como a proposta de fim da jornada de trabalho 6×1 e outras medidas de seu governo.

Na reunião desta quinta, participaram nomes como o ministro José Guimarães (PT-CE), a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS).

Ao deixar o encontro, Guimarães defendeu uma mudança na postura eleitoral. "Essa reunião é decisiva para realinhar e apresentar a campanha a partir de agora numa linha de radicalismo que a conjuntura exige. É ir para o enfrentamento. Nas ruas e mudança no programa de TV", disse o ministro.

Teresa Leitão também defendeu mais mobilização e confronto político com o adversário. "A linha de fato é dar um gás na campanha. Vamos fazer mobilização no domingo. Gás é isso, radicalizar, ir na política, não na agressão. Vamos mostrar quem é Flavio Bolsonaro e qual o risco que o Brasil corre com a volta desse povo para o poder poder", afirmou.

Partidos aliados também reclamam da falta de diálogo com a coordenação. PSB, PDT, PSOL-Rede, PV e PC do B integram atualmente a aliança de Lula.

A campanha ainda marcou uma reunião com centrais sindicais e movimentos sociais para esta sexta-feira (11), em São Paulo. Segundo Miguel Torres, presidente da Força Sindical, o encontro havia sido agendado anteriormente, mas ganhou importância diante do atual cenário eleitoral.

"É oportuno (se reunir) para a gente ver o que pode fazer. Precisamos ir às bases. É preciso falar para os trabalhadores da ameaça que é para o país se Lula perder. Temos que bater nisso, na ameaça que é o outro lado, fazendo comparações. Essa é uma eleição de comparação", disse.

Mais cedo, a equipe jurídica da campanha se reuniu com integrantes da coordenação para avaliar o cenário e definir os próximos passos. Aliados admitem lentidão na campanha e defendem maior mobilização da militância.

Outro problema apontado é a distribuição de materiais eleitorais. Um integrante da coordenação atribuiu a dificuldade à demora na liberação de recursos do fundo eleitoral.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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