Rio Grande do Norte gasta só 16% de verba e fila de cirurgia tem 19 mil pessoas

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Agência Brasil
Atual percentual de execução é inferior ao observado no mesmo período de 2025, segundo o Conselho de Secretários.

Saúde

19/06/2026

O Rio Grande do Norte utilizou apenas 16% dos recursos federais carimbados para diminuir a fila de cirurgias em 2026. Dos R$ 58 milhões previstos pelo PNRF (Programa Nacional de Redução de Filas), R$ 32 milhões já foram liberados pelo Ministério da Saúde, mas somente R$ 9,3 milhões saíram do papel.

Enquanto a verba dorme nas contas públicas, o drama humano cresce nos hospitais potiguares. Atualmente, a lista de espera por uma operação eletiva acumula impressionantes 19 mil pacientes em todo o território estadual.

Os dados alarmantes são do Cosems (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Norte). A liderança do órgão aponta que o ritmo atual de trabalho consegue ser pior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

O grande entrave é a escassez de hospitais parceiros e a desarticulação do próprio governo estadual. Faltam clínicas privadas interessadas nos valores oferecidos pela gestão pública.

“Já estivemos em uma fase em que nós não tínhamos dinheiro, mas tínhamos prestadores. Hoje nós temos dinheiro e os prestadores não estão sendo tão atrativos para atender a grande demanda que ainda tem de cirurgias eletivas do nosso Estado”, reforça a presidente do Cosems, Maria Eliza Garcia, à Tribuna do Norte.

As operações de tireoide e os procedimentos urológicos lideram as estatísticas de maior atraso no sistema. A entidade cobra uma força-tarefa urgente entre o governo e a rede médica para evitar a devolução das verbas federais.

Para o Cremern (Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte), faltam leitos disponíveis e equipes médicas completas no front. O órgão defende melhorias na regulação de vagas para dar agilidade aos atendimentos pendentes.

Já o Sinmed (Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte) critica o excesso de centralização da demanda na rede pública. O sindicato explica que as salas de operação estaduais estão sufocadas pelos casos diários de urgência e emergência.

A Sesap (Secretaria de Saúde Pública do Rio Grande do Norte) foi procurada para esclarecer o travamento dos fundos e os planos de ação. O órgão estadual preferiu o silêncio e não respondeu aos questionamentos enviados.

No cenário nacional, o panorama divulgado pelo governo federal se mostra totalmente oposto ao potiguar. Em Brasília, a gestão federal celebra recordes históricos de procedimentos cirúrgicos após reformular o formato de pagamentos do SUS (Sistema Único de Saúde).

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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