Economia
11/03/2026
O Brasil está diante de uma decisão estratégica que vai muito além da escolha de um endereço. A implantação do supercomputador previsto no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial — investimento estimado em R$ 1,8 bilhão — definirá onde ficará o núcleo da soberania digital do país nas próximas décadas.
Em artigo recente, os professores da UFRN Ricardo Valentim e Samuel Xavier, ao lado do ex-senador e ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates, defendem que essa infraestrutura deveria ser instalada no Rio Grande do Norte.
O argumento central é econômico. Supercomputadores operam ininterruptamente e consomem grandes volumes de energia. Em estados com tarifas próximas de R$ 0,70 por kWh, a conta elétrica pode alcançar dezenas de milhões de reais por mês — tornando a energia o principal custo operacional ao longo da vida útil do empreendimento.
É exatamente aí que o Rio Grande do Norte ganha vantagem competitiva. O estado produz cerca de dez vezes mais energia do que consome, com matriz majoritariamente eólica e solar, o que permite contratos de longo prazo mais estáveis e baratos no mercado livre.
Instalar o supercomputador próximo aos polos de geração também reduz perdas de transmissão, melhora a eficiência do sistema elétrico e cria demanda estável numa região que já é exportadora líquida de energia.
Há ainda fatores geográficos e logísticos favoráveis.
Natal ocupa a posição mais oriental da América do Sul, mais próxima da Europa e da África, o que reduz latências nas conexões internacionais.
Some-se a isso a presença de cabos submarinos no Nordeste e condições climáticas estáveis para grandes infraestruturas tecnológicas.
Na visão dos especialistas, consolidar um polo nacional de supercomputação no RN não é apenas uma escolha regional. É uma decisão estratégica sobre onde o Brasil pretende ancorar a base tecnológica da sua economia digital.
Ricardo Valentim, Samuel Xavier e Jean Paul Prates estão de parabéns por apontarem esse novo eixo econômico.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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