Justiça
21/08/2026
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJ) suspendeu a indisponibilidade de bens de até R$ 971,9 mil que permanecia em vigor havia mais de sete anos. A medida havia sido determinada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) em investigação sobre supostas irregularidades em uma licitação realizada por Guamaré, em 2015.
O caso envolve um investigado que atuou na elaboração do projeto básico para a implantação de uma unidade dessalinizadora. A apuração no TCE começou em 2017, após denúncia sobre possíveis irregularidades no procedimento.
Em maio de 2019, a 1ª Câmara do TCE determinou a indisponibilidade de bens do investigado e de outros envolvidos, até o limite de R$ 971.910. A restrição atingiu ativos financeiros e veículos e foi registrada na Central Nacional de Indisponibilidade de Bens.
O relator, juiz convocado Ricardo Tinôco, apontou que a legislação estadual estabelece prazo máximo de um ano para a indisponibilidade cautelar de bens determinada pelo Tribunal de Contas.
Segundo o TJ, a medida tem caráter temporário e serve para preservar o patrimônio durante a apuração de possíveis irregularidades. No caso analisado, porém, a restrição permaneceu por mais de sete anos sem nova fundamentação para sua manutenção.
O investigado apresentou mandado de segurança contra a continuidade do bloqueio. O relator também rejeitou o argumento de que teria terminado o prazo para questionar judicialmente a medida.
Para Tinôco, como a indisponibilidade continuou depois do período previsto em lei, a ilegalidade apontada pela defesa também permaneceu. A decisão classificou o caso como uma “omissão continuada” da autoridade responsável pela retirada da restrição.
O TJ citou entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) segundo o qual os Tribunais de Contas podem determinar cautelarmente a indisponibilidade de bens em determinadas situações. A decisão, porém, ressalta que a medida não pode ser prorrogada indefinidamente com base nos mesmos fatos.
A suspensão do bloqueio não encerra a investigação sobre as supostas irregularidades na licitação de Guamaré. Também não representa uma conclusão sobre eventual responsabilidade do investigado, e uma nova medida cautelar deverá seguir os requisitos previstos em lei.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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