Tecnologia
25/03/2026
Meta e Google foram consideradas culpadas nos EUA por projetar plataformas com potencial de vício em crianças, o que pode abrir caminho para milhares de ações semelhantes.
As empresas foram condenadas a pagar US$ 3 milhões (R$ 15,7 milhões) em indenização a uma jovem, hoje com 20 anos, que atribuiu a problemas de saúde mental — como ansiedade, depressão e dismorfia corporal — ao uso de redes sociais na infância. O júri concluiu que Instagram, Facebook e YouTube agiram com negligência ao não proteger usuários menores.
A decisão saiu após nove dias de julgamento em Los Angeles e é vista como um possível marco regulatório, comparado à ofensiva contra a indústria do tabaco nos anos 1990. Só a Meta responde por 70% da indenização, e o Google, por 30%. O júri também autorizou a fixação de danos punitivos, ainda a serem definidos.
As duas empresas afirmaram que vão recorrer. Snapchat e TikTok, que também eram alvo da ação, fecharam acordos antes do julgamento.
O caso se soma a outras derrotas recentes da Meta nos EUA e integra uma pressão global crescente sobre as big techs. Países como Espanha e Austrália já adotaram restrições ao uso de redes sociais por menores de 16 anos, enquanto Reino Unido, França e União Europeia discutem medidas semelhantes.
No julgamento, vieram à tona documentos internos que reconhecem o potencial viciante das plataformas. Executivos admitiram que, no passado, ampliar o tempo de uso — inclusive entre adolescentes — era uma meta. Também foram citados recursos como rolagem infinita, curtidas e notificações como mecanismos de engajamento que incentivam uso compulsivo.
A defesa das empresas tentou invocar a proteção da legislação americana que isenta plataformas de responsabilidade por conteúdo de terceiros. Mas o júri entendeu que o foco do caso não era o conteúdo, e sim o design das plataformas — elemento central para responsabilização.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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