Economia
19/06/2026
O Brasil recuou sete posições no ranking mundial de competitividade deste ano, caindo para o 65º lugar entre 70 nações avaliadas. O tombo acende um sinal vermelho para a capacidade do país de atrair novos negócios e investidores estrangeiros.
O recuo surpreende por ocorrer em um momento de mercado de trabalho aquecido e desemprego em patamares baixos. Contudo, analistas alertam que o bom momento do emprego não basta para sustentar o avanço econômico.
A lista avalia cerca de 300 critérios, como educação, desempenho governamental e custo de capital. O topo do levantamento é dominado por potências como Singapura, Hong Kong e Suíça.
Esses líderes globais ostentam ensino de excelência, forte aporte tecnológico e juros baixos. "Esse ranking de competitividade nada mais é do que uma maneira de medir a capacidade dos países de atrair investimento, atrair empresas, gerar negócios e gerar emprego", explicou a analista Lucinda Pinto, na CNN.
Atualmente, o Brasil amarga posições atrás de países como Gana e Eslováquia no comparativo internacional. A falta de mão de obra qualificada e os juros altos criam uma espécie de ciclo vicioso no mercado nacional.
A ausência de metas claras de longo prazo afasta o dinheiro que poderia financiar indústrias e infraestrutura. O capital estrangeiro que entra na bolsa de valores acaba não virando investimento produtivo de longo prazo.
O custo elevado para abrir e manter companhias sufoca tanto grandes indústrias quanto empresas iniciantes. A avaliação foi referendada pelo Núcleo de Inovação, Inteligência Artificial e Tecnologias Digitais da FDC (Fundação Dom Cabral).
"Os dados trazem perspectiva de que o custo de se fazer negócios no Brasil é cada vez mais alto, e isso tem dificultado não só as indústrias, como também as empresas nascentes", afirmou Hugo Tadeu, professor da FDC.
Outro indicador que preocupa os especialistas é a formação bruta de capital fixo, que mede o investimento no aumento da capacidade produtiva. Empresas interessadas em expandir suas estruturas esbarram no crédito caro.
O cenário se torna ainda mais desafiador em meio à corrida global por IA (Inteligência Artificial) e novas tecnologias. Sem reformas estruturais profundas, o Brasil corre o risco real de ficar isolado e para trás no mercado internacional.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
ver mais
Receba notícias exclusivas