Economia
05/06/2026
O setor pesqueiro do Rio Grande do Norte treme com a nova ameaça comercial de Donald Trump. O presidente americano planeja elevar as taxas de importação para até 37,5%.
Em entrevista ao programa Contraponto, da rádio 96 FM, o empresário Arimar França Filho deu o alerta nesta sexta-feira (5). Ele atua como vice-presidente do Sindicato da Indústria de Pesca do Estado do Rio Grande do Norte (Sindipesca).
A taxação pretendida junta 25% de tarifa linear a 12,5% por supostas questões trabalhistas. Atualmente, o setor paga uma média de 10% para enviar os produtos ao mercado americano.
"Só se fosse droga, teria uma margem de lucro dessa", desabafou França sobre o forte impacto financeiro. O empresário lamentou que o imposto inviabiliza totalmente a competição do pescado potiguar lá fora.
A pesca e o sal lideram os prejuízos na pauta de exportação do Estado. O segmento ainda tenta superar o fantasma de um sufoco semelhante vivido no ano passado.
"O setor ainda está curtindo a ressaca do primeiro tarifaço", relembrou o industrial. Na ocasião, a crise durou sete meses e causou o fechamento definitivo de várias empresas locais.
Os produtores tentaram escoar a produção internamente, mas encontraram barreiras comerciais intransponíveis. "O mercado interno não teve como absorver todo esse produto", explicou o diretor.
A situação atual gera pânico porque o mercado americano absorve praticamente todo o peixe fresco do RN. Os maiores prejudicados são os produtores de atum e meca voltados à culinária japonesa.
"A gente vai ficar de fora de novo", alertou França ao comparar o Brasil com concorrentes globais que mantêm taxas menores. O bloqueio atinge desde a frota industrial até dezenas de milhares de pescadores artesanais.
Uma esperança ressurge na próxima quarta-feira (10) com a auditoria da Direção-Geral da Saúde e da Segurança Alimentar (DG Santé). Os inspetores europeus vão avaliar o governo federal para tentar reabrir as vendas ao bloco econômico.
O mercado da Europa está fechado para o peixe brasileiro desde 2018. A retomada comercial funcionaria como uma rota de fuga indispensável diante das novas barreiras americanas.
A decisão final de Washington deve ser anunciada até o dia 16 de julho. Até lá, o Sindipesca busca apoio emergencial junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI) para tentar atenuar o tombo.
Confira o vídeo:
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
ver mais
Receba notícias exclusivas