Engorda de Ponta Negra perde 39% da faixa de areia em apenas um ano

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Reprodução/Redes Sociais
Estudo da UFRN aponta redução de 39,27% na faixa de areia da engorda de Ponta Negra um ano após a conclusão da obra.

Cidades

02/06/2026

A faixa de areia da Praia de Ponta Negra encolheu consideravelmente no último ano. Um estudo técnico revelou uma redução de 39,27% no volume de sedimentos da engorda entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026.

O levantamento foi realizado pela Funpec (Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura), que é vinculada à UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). A análise aponta o entorno do Morro do Careca como o ponto mais castigado pela erosão.

Em termos absolutos, o estoque de areia acima da linha d’água despencou de 1,02 milhão de metros cúbicos para 619,8 mil metros cúbicos. Isso significa que cerca de 400,9 mil metros cúbicos de material se movimentaram no período.

Os pesquisadores explicam que os dados avaliam apenas a parte visível da praia. Por isso, ainda não dá para cravar se o material sumiu de vez ou se migrou para a antepraia, que é a área submersa.

Os técnicos dividiram a praia em três setores para mapear o problema. A região da Via Costeira perdeu 207 mil metros cúbicos, enquanto o trecho central registrou recuo de 82,7 mil metros cúbicos.

O sinal de alerta acendeu mesmo no Morro do Careca, que perdeu 111,1 mil metros cúbicos. Embora o volume seja menor que o da Via Costeira, o percentual de perda foi o maior de todos, batendo 51,87%.

O relatório dividiu a área da engorda em três setores para avaliação:

  • Área A (Via Costeira): perda de 207 mil metros cúbicos, equivalente a 49,74% do volume inicial;
  • Área B (trecho central de Ponta Negra): redução de 82,7 mil metros cúbicos, correspondendo a 21,21%;
  • Área C (entorno do Morro do Careca): perda de 111,1 mil metros cúbicos, representando 51,87% do volume original.

O relatório detalha que o primeiro ano pós-obra foi marcado por forte instabilidade. Temporais logo após o término dos trabalhos abriram canais na areia, processo que se repetiu no inverno seguinte.

A combinação de drenagem urbana pesada, marés altas e chuvas intensas acelerou o deslocamento do material. A tendência atual é que a perda continue no Morro do Careca até que a praia encontre um novo equilíbrio.

A Seinfra (Secretaria Municipal de Infraestrutura) encarou os números sob outra perspectiva. A secretária Shirley Cavalcanti argumentou que o recuo não significa um prejuízo definitivo de quase 40% da obra.

Segundo a gestora, o cenário reflete a dinâmica natural do litoral, em que o mar move e redistribui a areia pela costa. Para frear o avanço do mar, a Funpec sugere medidas como novos reaterros, controle de drenagem e lagoas de captação.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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