Cidades
03/06/2026
O litoral do Rio Grande do Norte abriga dois dos oito pontos com maior concentração de bitucas de cigarro em toda a costa do Brasil. A descoberta consta em um estudo inédito do Instituto do Mar da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
O mapeamento revela que 4,5 trilhões de filtros são atirados na natureza anualmente de forma incorreta no planeta. O descarte inadequado faz do item o resíduo mais comum nos oceanos.
Os pesquisadores criaram o ICBC (Índice de Contaminação por Bitucas de Cigarro) para medir a sujeira por metro quadrado. O Irã lidera o ranking global do problema, seguido de perto por praias da América do Sul.
No Brasil, a média atingiu oito bitucas por metro quadrado nos locais mais críticos. Além das duas áreas no litoral potiguar, o problema atinge Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.
O relatório não especifica quais praias do RN foram mapeadas, mas acende o sinal vermelho para o turismo do estado. A proteção legal de parques ambientais reduz o lixo, mas não resolve o problema por completo.
“Mesmo assim, hotspots (pontos de alta concentração) foram encontrados dentro de áreas protegidas que incluem parques e reservas, principalmente onde há turismo intenso ou fiscalização limitada”, explicou o engenheiro ambiental Victor Vasques Ribeiro.
Para o cientista, o cenário exige ações que vão além da criação de leis. “A simples designação legal não basta; é crucial a redução geral do número de fumantes e também o aumento de infraestrutura de fiscalização e educação ambiental”, emendou.
O grande perigo mora na composição desses resíduos jogados na areia. Cada pedaço carrega cerca de 7 mil substâncias químicas, sendo 150 delas altamente tóxicas.
O material é feito de plástico e se divide em microplásticos ao longo do tempo. Esses fragmentos entram na cadeia alimentar dos animais marinhos e chegam até a mesa das pessoas.
“Se as pessoas entendessem que estão jogando uma bomba química quando descartam uma bituca, talvez não agissem com tanta normalidade”, alertou Ribeiro.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) calcula que existem 1,2 bilhão de fumantes no mundo. O volume de consumo global chega à marca de 12 trilhões de cigarros a cada ano.
Especialistas do Inca (Instituto Nacional de Câncer) cobram que o item seja incluído em debates sobre poluição plástica. Em algumas praias brasileiras, os filtros de cigarro respondem por mais da metade de todo o lixo recolhido.
Os cientistas agora sugerem a proibição do fumo em praias e parques, além de punição financeira para a indústria do tabaco. O debate ganha força com novas leis rígidas adotadas pelo mundo.
No Reino Unido, parlamentares aprovaram um veto vitalício de fumo para jovens nascidos a partir de 2009. A medida britânica também prevê proibir o consumo em locais abertos, como parques e arredores de hospitais.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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