Cultura
07/07/2026
A teledramaturgia brasileira perdeu um de seus maiores contadores de histórias nesta terça-feira (7). O escritor e dramaturgo Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos, na cidade de São Paulo.
O óbito foi confirmado pelo HCor (Hospital do Coração), onde o veterano passava por cuidados médicos. O boletim aponta que a partida ocorreu em decorrência de complicações geradas por insuficiência renal crônica.
O autor já enfrentava uma batalha contra a doença no início do ano. Em janeiro, ele passou 19 dias internado devido a uma infecção urinária, recebendo alta no dia 22 daquele mês.
Nascido em Gália, no interior paulista, Benedito moldou sua infância em regiões cafeeiras repletas de imigrantes. Essa vivência no campo serviu de combustível para criar seus cenários rurais e sagas familiares inesquecíveis.
Antes de virar o rei do gado da televisão, ele trilhou caminhos no jornalismo e na publicidade. Trabalhou como revisor no jornal O Estado de S. Paulo e atuou na cobertura esportiva do Última Hora.
Sua estreia oficial nas novelas ocorreu em 1971, com a primeira versão de Meu Pedacinho de Chão. Pouco depois, em 1976, ele assinou com a TV Globo para escrever O Feijão e o Sonho.
A carreira deslanchou com uma sequência de sucessos nos anos seguintes. Ele presenteou o público com tramas marcantes como Cabocla (1979), Paraíso (1982) e a versão original de Sinhá Moça (1986).
A consagração definitiva veio em 1990, quando bateu a audiência da concorrência com a icônica Pantanal, na extinta TV Manchete. O estrondo da novela provocou seu retorno triunfal para a emissora carioca.
De volta à antiga casa, ele emendou fenômenos que pararam o Brasil. É dele a autoria de joias da ficção como Renascer (1993), O Rei do Gado (1996) e a épica Terra Nostra (2000).
Sua última contribuição inédita para a faixa das nove foi a novela Velho Chico, exibida em 2016. Recentemente, sua obra ganhou sobrevida com remakes de sucesso adaptados por seu neto, Bruno Luperi.
O mestre do realismo mágico rural deixa uma marca profunda na identidade cultural do país. Suas tramas atravessaram gerações e seguem como padrão de excelência na história da comunicação nacional.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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