Nova taxação dos Estados Unidos pode impactar um terço das exportações brasileiras, projeta CNI

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Divulgação/Anec/Agro
Segundo a CNI, 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos seriam alcançadas pelas novas tarifas.

Economia

15/06/2026

Projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que, se as novas tarifas propostas pelo governo dos Estados Unidos forem implementadas, 31,6% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano passarão a pagar alíquota de 37,5%, ante os atuais 10%. Outros 3,6% dos embarques ficariam sujeitos a tarifa de 12,5%.

A proposta surgiu após uma investigação do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), concluída neste mês, que acusa o Brasil de adotar práticas que restringiriam o comércio com empresas americanas. Entre os pontos citados estão o PIX, o combate ao desmatamento ilegal, a pirataria e supostas falhas na aplicação de leis anticorrupção.

Como resultado, o órgão propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, mas preservou uma lista de itens considerados estratégicos para a economia americana, como carne bovina, café, frutas, aeronaves e minerais de terras raras.

Segundo a CNI, 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos seriam alcançadas pelas novas medidas. Quando somadas às tarifas setoriais já aplicadas, a parcela dos embarques sujeitos a algum tipo de sobretaxa poderá chegar a 54,1%.

Entre os produtos mais afetados está o ferro-gusa não ligado, insumo utilizado pela indústria siderúrgica americana, que passaria a enfrentar tarifa de 37,5%. Em 2024, as exportações brasileiras desse produto para os Estados Unidos somaram US$ 1,5 bilhão. Também entrariam nessa faixa de tributação o açúcar de cana em forma sólida, o sebo não comestível, usado na produção de biocombustíveis e cosméticos, o álcool etílico não desnaturado e as molduras de madeira de pinho.

Na faixa de 12,5% ficariam produtos como minério de ferro e pelotas aglomeradas, lajes de quartzito, óleos essenciais de laranja, silício e pasta química de madeira destinada à produção de celulose especial.

As medidas ainda não entraram em vigor. Antes de uma decisão final, a proposta será submetida a consulta pública e audiências promovidas pelas autoridades norte-americanas.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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