Economia
06/04/2026
O Rio Grande do Norte está sentado em uma mina de ouro tecnológica, mas corre o risco de ver o tesouro escapar. Segundo a Tribuna do Norte, o estado pode deixar de captar até R$ 232,6 bilhões em investimentos por falta de regras claras para data centers.
O alerta vem da Coere (Comissão de Energias Renováveis da Fiern). A entidade aponta que a falta de regulamentação afasta projetos de grande porte que já buscam abrigo nos vizinhos nordestinos.
O prejuízo não é apenas contábil e atinge o mercado de trabalho. Além do montante bilionário, o estado deixaria de criar cerca de 53.670 postos de emprego, entre diretos e indiretos.
A arrecadação também sofreria um golpe pesado. Estima-se uma perda anual de quase R$ 500 milhões em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) potencial.
Enquanto o RN patina, Ceará, Paraíba e Piauí já aceleraram o passo. O Ceará, por exemplo, já abriga 12 dessas estruturas e lidera a corrida regional com folga.
Sérgio Azevedo, presidente da Coere, não esconde a preocupação com a lentidão local. “O Rio Grande do Norte ainda está atrasado nessa agenda”, defende o executivo.
A pauta deve chegar ao Conselho Estadual de Meio Ambiente no próximo dia 14 de abril. O setor produtivo espera que o Idema (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente) agilize o licenciamento desses sistemas.
Há quem tema o uso excessivo de água, mas especialistas dizem que a preocupação é infundada. O advogado Kepler Brito, representante da Ordem dos Advogados do Brasil no RN, afirma que "novas tecnologias permitem a refrigeração dos sistemas sem qualquer uso de água na operação".
Roberto Serquiz, presidente da Fiern (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte), cobra pressa na modernização da lei. Ele acredita que o estado opera em um ritmo incompatível com seu imenso potencial produtivo.
Outro ponto crucial é o Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias. Essas baterias gigantes funcionam como um pulmão para os parques eólicos e solares, evitando que a energia gerada seja desperdiçada.
“O investidor prioriza a segurança jurídica e a previsibilidade para tomar decisões”, explica Darlan Santos, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia. Sem regras, o RN perde a chance de virar um polo de hidrogênio verde.
A Sedec (Secretaria de Desenvolvimento Econômico) tenta manter o otimismo e cita a vinda de um supercomputador para o estado. No entanto, para o mercado, sem uma norma robusta, o RN continuará apenas assistindo ao crescimento dos rivais.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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