Política
29/01/2026
Acompanhando as declarações recentes da governadora Fátima Bezerra, fica-se com a impressão de que a eleição indireta para o mandato-tampão, em abril, seria favas contadas.
Peralá, não é bem assim.
Em entrevista à rádio 88 FM (Universitária), Fátima reafirmou sua pré-candidatura ao Senado:
— Eu sou candidata, candidatíssima — disse, convicta.
Mais adiante, afirmou algo incerto na atual conjuntura política:
— O povo confiou ao PT um mandato que vai até 31 de dezembro de 2026, e esse mandato, até esse prazo, está amparado pela Constituição. O PT não fugirá dessa responsabilidade de forma nenhuma — falou, categórica.
Para confirmar, na prática, essa declaração enfática proferida na emissora, a líder petista precisará garantir apoios para eleger o governador-tampão — que, se depender dela, será Cadu Xavier.
Só que Fátima não tem votos suficientes para vencer a parada na Assembleia Legislativa. Sua base está restrita hoje a sete ou oito parlamentares.
Como não há diálogo com o bolsonarismo, a governadora será forçada a buscar apoios na centro-direita.
E quem lidera esse segmento na Assembleia? Quem?
Sim, ele mesmo: Allyson Bezerra, alvo principal da Operação Mederi, que investiga fraudes na saúde.
Desde ontem, quando o caso do prefeito estourou em nível nacional, Allyson vem apanhando tanto do PT — até Fátima tirou uma casquinha — que custa acreditar que haja clima político para um eventual acordo na eleição da Assembleia.
As principais estrelas do PT miraram a eleição estadual de outubro e esqueceram a peleja de abril. A ansiedade de bater no prefeito foi maior do que qualquer estratégia política.
Estou curioso para saber se Allyson Bezerra guarda mágoas.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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